Há pouco mais de um mês, o Centro de Ginecologia Luísa Gomes de Lemos, mais conhecido como Hospital das Pioneiras Sociais, passou a pertencer ao Instituto Nacional de Câncer, o Inca. A partir de agora, o Centro é uma das coordenadorias do Instituto, tendo como objetivo maior a prevenção e o combate ao câncer da mulher, deixando aos poucos algumas atribuições anteriores, como promover operações de esterilidade, retirada de miomas e outras.
A escolha do Centro de Ginecologia se deu justamente devido à unidade hospitalar já possuir um histórico longo e uma bagagem sólida no campo da prevenção e tratamento desta doença, que atinge um grande contingente de mulheres em todo o mundo. Segundo o Dr. Antonio Cesar Lemme, do Instituto Nacional de Câncer, um estudo revelou que o câncer representa a segunda causa de mortalidade feminina, apenas ultrapassada pelas doenças cardiovasculares. No Rio de Janeiro, a maior incidência fica por conta do câncer de mama, devido a condições socioeconômicas especiais. Já em regiões mais pobres do país, o câncer do colo do útero é o mais comum.
De acordo com Dr. Lemme, os altos índices levaram o Instituto a absorver o "Hospital das Pioneiras Sociais". "O Inca, enquanto uma instituição do Ministério da Saúde, tem como obrigação dar esta assistência e tentar resolver o máximo possível este problema", acrescenta o médico. Ele acredita que a partir de novembro, o Centro de Ginecologia já vai estar priorizando a função de diagnosticar e combater o câncer de mama e do colo do útero. "Até janeiro, nós acreditamos que já estaremos funcionando plenamente dentro dos objetivos estabelecidos pelo Instituto", afirma.
Além do Centro de Ginecologia, o Instituto Nacional do Câncer congrega mais outras unidades, que são o Hospital de Câncer da Cruz Vermelha, o Hospital de Oncologia e o Centro de Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer.
O Inca, através das suas coordenadorias, realiza pesquisas de novas formas de tratamento da doença, além de preparar recursos humanos especializados nesta área. Outra atribuição do Instituto é o serviço de orientação da população através de campanhas de prevenção e esclarecimento. Para isso, o Inca conta com o Pro-Onco, uma coordenadoria direcionada para a finalidade de divulgar que o câncer é uma doença que pode ser perfeitamente curável se detectada em seus estágios iniciais.
O câncer de mama e o câncer do colo do útero são dois problemas sérios que atingem grande parte da população feminina brasileira. Se não detectado em suas formas iniciais, o câncer pode levar à morte, o que acontece com frequência no Brasil. Apesar de ser um problema grave, o câncer pode ser descoberto e tratado sem riscos para a paciente. Porém, isto depende exclusivamente da mulher que tem a possibilidade de notar a presença do tumor cancerígeno da mama através do autoexame e até evitar o surgimento do câncer do colo do útero, fazendo periodicamente o exame preventivo. O que acontece muitas vezes é que o medo e a falta de informação faz com que a mulher só procure ajuda médica quando a doença já se apresenta em estágios tão adiantados que a cura se torna difícil e altamente sofrida.
O CÂNCER DA MAMA
A região Sudeste do Brasil apresenta o maior índice de incidência de câncer de mama no país. De acordo com o Dr. Oscar Jesuíno da Silva, vice-diretor do Centro Ginecológico Luíza Gomes Lemos, apesar de todos os esforços na realização de pesquisas e avanços, a taxa de mortalidade nestes casos tem se mantido estável nos últimos anos. Segundo o médico, a sobrevida de pacientes portadores desta doença está muito ligada à fase em que o problema seja diagnosticado. "Um dos recursos mais acessível para detectar o câncer de mama num estágio que ele ainda seja curável é o autoexame", afirma o especialista.
Dr. Oscar Jesuíno da Silva
De acordo com Dr. Oscar Jesuíno da Silva, há uma relação muito direta entre o tamanho do tumor no momento do diagnóstico e do tratamento e a sobrevida do paciente. "Quanto maior o tumor, menor a possibilidade de cura daquele problema", garante. Desta forma, quanto mais cedo a mulher descobrir o nódulo cancerígeno, maiores as chances de sobrevivência e de se submeter ao tratamento sem a necessidade da mutilação através da mastectomia. E neste ponto que está a importância de se difundir a necessidade de as mulheres realizarem o autoexame das mamas.
O teste consiste na própria mulher apalpar ambos os seios à procura de nódulos ou qualquer alteração de tamanho, formato ou vermelhidão. O autoexame deve ser feito mensalmente, sempre após o período menstrual. Para as mulheres que já alcançaram a menopausa, o exame deve ser realizado no mesmo dia de cada mês. Qualquer mudança precisa ser observada, inclusive nos bicos das mamas. O exame deve ser feito em pé diante do espelho e deitada, apalpando toda a região dos seios até as axilas, pressionando levemente o bico para detectar a presença de sangue ou líquido escuro.
Os especialistas recomendam que a prática do autoexame mensal das mamas comece aos 25 anos, ou mais cedo, se houver um histórico de câncer na família. Segundo o Dr. Oscar, as pacientes que são diagnosticadas e tratadas no estágio um da doença, que é o inicial, tem uma possibilidade de vida em torno de 80 a 90 por cento. Isto sem a necessidade do uso da mastectomia, que é a retirada da mama afetada pelo câncer.
De acordo com o médico, nos países em desenvolvimento, a incidência do tratamento do câncer em estágios mais avançados ainda é muito grande, superando em dois terços o que acontece no Primeiro Mundo. "A realidade brasileira é que mais da metade das mulheres só procuram assistência médica na fase avançada da doença", revela o especialista. Para ele, isto só vai acabar quando o assunto for amplamente discutido e divulgado entre a população.
É importante frisar que um grande percentual de mulheres que procuram o médico, devido à presença de nódulos no seio, não tem tumores de origem maligna. Porém, esta confirmação só pode ser dada pelo especialista, que deve ser procurado imediatamente após a descoberta de qualquer alteração nas mamas.
O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO
Outro problema que aflige as mulheres, principalmente de regiões mais pobres, é o câncer do colo do útero. Ao contrário do câncer de mama, no colo a doença pode ser detectada antes de sua instalação definitiva. Para que isso aconteça, é necessário se fazer o exame preventivo, que é uma espécie de coleta do material encontrado no colo do útero que, levado ao laboratório, vai indicar ou não a presença de lesões com características de se tornarem um câncer.
O preventivo não tem o objetivo de rastrear o câncer, mas sim detectar lesões que vão mais tarde se transformar na doença. "O método de se diagnosticar as displasias é simples, econômico, indolor, rápido e eficiente", esclarece Dr. Oscar. Segundo ele, neste estágio, o problema é 100 por cento curável. Falando de forma popular, estas lesões são alterações das células que sofrem, além do processo inflamatório, mudanças que tenham potencial para se tornarem malignas. Segundo Dr. Oscar, os tratamentos para esses distúrbios precursores podem ser feitos através da cauterização (com o uso do lazer ou não) e através do processo cirúrgico, quando o estágio já é mais avançado.
De acordo com estudos realizados pelo Instituto Nacional do Câncer, o exame preventivo pode ser feito com intervalos de três anos, a partir da primeira relação sexual. Como garantia, as duas primeiras vezes devem ser feitas com um espaço de seis meses para atestar a veracidade do primeiro resultado.
Se uma mulher chega a morrer por causa de um câncer no colo do útero é porque alguém tem culpa no cartório. Ou o Governo que não deu condições para se fazer o preventivo, ou o médico que não orientou a paciente, ou a mulher que, sabendo da importância do exame, não o fez". A declaração é da ginecologista Emília Rebelo Lopes, médica do Instituto Nacional de Câncer e coordenadora do PRO-ONCO. Para ela, o importante é divulgar a existência deste recurso e tirar o medo das pessoas. "E necessário acabar com o estigma de não se falar sobre esta doença para que as pessoas conheçam bem o assunto e assim possam se proteger do problema", finaliza a médica.
O Serviço Social só começou a ser visto como uma profissão após a Guerra Mundial, quando a necessidade desta mão-de-obra se tornou evidente na recuperação e reintegração de soldados às suas pátrias; além da assistência às famílias enlutadas. Mesmo assim, a prática das atividades com estas características já foram registradas séculos antes.
O objetivo central deste profissional é tentar contornar e até evitar sequelas de situações de crises psico-sociais do indivíduo. São atribuições do assistente social, desenvolver campanhas de esclarecimento junto à comunidade e orientação individual em empresas, escolas ou em órgãos públicos, orientan-do e ajudando a integração do homem na sociedade.
Campo de atuação
O assistente social pode trabalhar em empresas privadas e públicas, centros de assistência social, juizado de menores, hospitais, escolas, centros de assistência médico-social, penitenciárias e outros.
Onde estudar
No Estado do Rio de Janeiro, o curso é oferecido na UERJ — Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UFF — Universidade Federal Fluminense, UFRJ — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gama Filho, SUAM, PUC do Rio de Janeiro, Castelo Branco, e na Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro.
Conselho Regional de Assistentes Sociais Rua México 41 salas — 1.203 e 1.205 Centro — Rio de Janeiro
Telefones 240-3627/240-1727
ESCOLA TÉCNICA ABRE VAGAS PARA CURSO ESPECIAL DE QUIMICA
Se você está terminando ou já concluiu o 29 grau e quer se profissionalizar, a Escola Técnica Federal de Química oferece uma oportunidade: estarão abertas até 27 de novembro de 1992 as inscrições para 50 vagas no curso especial de química. Para participar do concurso, será necessário pagar uma taxa no valor de Cr$ 40 mil. Os interessados deverão se dirigir à Rua Senador Furtado 121/125, Maracanã, das 10h às 16h. É fundamental levar uma foto 3x4 e comprovante de escolaridade. Os inscritos farão prova de Química, Matemática, Física, e redação no dia 13 de dezembro.
Fonte: Jornal El Shadai, nº3, pág 14, Novembro 1992.
Dizer que foi incrível é pouco, porque simplesmente foi o máximo. Esse pelo menos foi o clima que pairou durante o show Canto da Vida, ocorrido no último dia 2, no Clube Tamoio de São Gonçalo.
Realizado pela MK Publicitá com o apoio da Rádio El Shadai, a tarde de louvor foi além das expectativas. O clube ficou superlotado para a satisfação de Edson Luiz, Isaías Mendes, João Marcos, Cassiane, Isaías Azevedo, Ruama, Complexo J., David Montenegro, Marina de Oliveira, Beckman, Beth Santos, Grupo Águas, Daso Brum, Carlos Vicente, Pr. Adonias, Elias e Davi, Tantos Motivos, Marco Aurélio, Yeshoshua, Mauricéia, Cesar e Cia e Oziel e sua banda que puderam sentir a vibração do público.
O mais chocante é que, além do sucesso do show Canto da Vida, o evento conseguiu arrecadar sete milhões e meio de cruzeiros e uma tonelada de alimentos não-perecíveis. Os mantimentos, como de hábito, são enviados para instituições carentes. Desta vez foram beneficiados o Instituto Evangélico de Cegos Ricardo Pitrowsky, Natal das Crianças Carentes da Congregação Batista de Jaconé.
O dinheiro será revertido para o Instituto Metodista Ana Gonzaga e a Cidade Batista da Criança, ambos em Campo Grande, além do Lar Batista, Rio D'Ouro.
Fonte: Jornal El Shadai, nº3, pág 14, Novembro 1992.
Missão Batista de Waku-Kungo foi iniciada pelo missionário autóctone Pr. Aurélio Japão, graças à visão e apoio das igrejas batistas do Brasil através da. Junta de Missões Mundiais. Os batistas brasileiros estão empenhados na evangelização dos novos nativos de Angola, participando do Programa de Missionários Autóctones, coordenado pelo Pr. Henoch Quiavaúca. Este Programa conta, hoje, com três missões em três províncias de Angola, a saber: Luanda com o missionário Candido Wannuque, Xangongo com o missionário Guilherme Chitocota e Waku-Kungo com o missionário Aurélio Japão.
Waku-Kungo é uma pequena vila rodeada por mais de 20 aldeias, cuja principal sobrevivência é a agricultura.
A Missão Batista de Waku-Kungo conta com mais de 40 pessoas. Em. apenas 3 meses de fundação, já possui dois pontos de pregação em duas aldeias vizinhas, com assistência de 20 pessoas.
O grande dilema da missão é que os novos convertidos, na sua maioria, estão casados com mais de duas mulheres, por ser este o costume da região.
Este problema também afeta as mulheres recém-convertidas, pois convivem na mesma casa com a segunda mulher do marido.
Os convertidos, ao serem confrontados com o plano de Deus sobre o casamento, questionam ao missionário sobre o que fazer. O Espírito Santo tem iluminado para tratar com estas questões delicadas.
Os pais e os mais idosos clamam aos irmãos, a fim de que orem em favor de seus filhos, para que não enfrentem esse problema, pois têm sido fonte de muitas tristezas nas aldeias pelas brigas que provoca.
Outro grande desafio que a Missão Batista de Waku-Kungo enfrenta é a proliferação de seitas e religiões africanas, que misturam a Palavra de Deus com práticas obscuras.
Um desses grupos, denominado "Profetas", tem semeado medo e morte nas aldeias, pois alegam descobrir quem são os feiticeiros e onde se escondem.
O método mais comum usado por este grupo é fazer o acusado saltar uma Bíblia. Caso haja hesitação, deduzem que é feiticeiro e logo é apedrejado. Em relação às mulheres, colocam uma Bíblia aberta no peito da acusada; caso a Bíblia fique colada, acusam-na de feiticeira.
A maioria dos nossos crentes recusa-se a se submeter a essa prática abominável, por isso são chicoteados e perseguidos. Apesar destes problemas que afetam o povo Kimbundo de Kwanza-Sul, nomeadamente Kibaia de Waku-Kungo, os nossos irmãos continuam firmes na proclamação da Verdade. Na última viagem que realizamos nas aldeias limítrofes da missão, pudemos ver vários irmãos marcados pelo chicote, mas com convicção de continuar seguindo a Jesus. Oremos pelo povo Kimbundo de Kwanza Sul e especialmente pela Missão de Waku-Kungo, e pelo Pr. Aurélio Japão e sua família. Não deixem que esta luz se apague. Pr. Henoch Quiavaúca Missionário Autóctone em Angola Junta de Missões Mundiais da C.B.B.
No último dia 11 de novembro, o Circo Voador abriu as suas portas para artistas diferentes e para um público muito especial. Neste dia, aconteceu o show "Gospel in Concert", onde artistas evangélicos se apresentaram com o objetivo de angariar recursos para a AMOA - Associação Mantenedora de Orfanatos e Asilos, que está reunindo recursos para a construção de um novo orfanato em Jacarepaguá. A lona do Circo Voador abrigou o Complexo J, Grupo Catedral, Carlinhos Félix, além da Companhia Teatral evangélica Elisãma, que estreiou a peça "O Beijo da Modernidade".
De acordo com o seu diretor administrativo, Ricardo Magalhães Lopes, a AMOA é uma instituição sem fins lucrativos, que existe há três anos a partir do sonho de algumas pessoas de doar parte do seu tempo para ajudar os mais carentes. Tendo como alvo central os órfãos e os velhos desamparados. Como filosofia, os responsáveis pela Associação tentam gerar seus próprios recursos a fim de não dependerem do Governo para a sobrevivência da instituição. Segundo Ricardo Lopes, no princípio da organização, a idéia era repassar verbas para os orfanatos e asilos já existentes, mas, com o tempo, surgiu a proposta de transformar uma antiga propriedade da presidente da AMOA, Elza Bueno de Magalhães, em um novo orfanato.
No Fórum Global, organizado durante a Conferência das Nações Unidas - Rio-92, a Associação teve a oportunidade de participar e expor para o mundo o seu trabalho e as suas propostas para o futuro. O diretor administrativo afirma que a experiência foi muito válida, pois até hoje a AMOA recebe cartas de várias partes do mundo, de pessoas querendo de alguma forma contribuir para a Associação. "Ao todo, somos 15 pessoas que trabalham sem qualquer remuneração para realizar os objetivos da AMOA. Além da presidente, temos também o diretor de relações exteriores, Roberto Ferro Marins, que foi um dos fundadores da obra. Cada uma destas pessoas tem uma função distinta na AMOA. Cada um doa seu tempo através da sua profissão", afirma Ricardo Lopes.
Apesar da instituição não ter qualquer vínculo religioso, a AMOA decidiu optar por um show de música evangélica como ponta-pé inicial para a realização da fase de aquisição, de recursos para a construção do orfanato. Para Ricardo Lopes, esta opção aconteceu devido a necessidade de se escolher músicos e conjuntos que não fizessem divulgação, através de suas canções, de coisas ruins como drogas e violência. Afinal, segundo ele, o objetivo é realizar uma obra de amor para as crianças e é muito portante selecionar bem quem participa deste trabalho.
Ricardo Lopes explica que a idéia de partir para um show evangélico surgiu quando ele descobriu, através da rádio El Shadai FM, o que realmente na música evangélica. Ele não sabia que existiam músicas tão boas e conjuntos organizados que falam de Deus e de paz. Para mim foi uma surpresa", acrescenta ele. Ricado afirma que, para realização do evento, a ajuda do pessoal. do Grupo Complexo J e da Companhia Elisãma, foi imprescindível, pois através dele foi possível contactar os outros artistas e levar o "Gospel in Concert' adiante.
Elisãma e o Beijo da Modernidade
Elisãma em ação no palco
Gospel in Concert teve a participação especial do grupo teatral Elisãma, composto por 12 jovens de diferentes denominações, que há três anos levam a Palavra através da arte da interpretação. A Companhia teatral já tem pronta sete peças que são apresentadas em diversos teatros, igrejas e eventos beneficentes. O Elisãma foi um dos indicados para o prêmio Artevan, nas categorias melhor grupo teatral e melhor evento do ano. "O Beijo da Modernidade", que tem a direção de Alex Coyola, é a marca da nova trajetória mais arrojada que o grupo vem imprimindo aos seus trabalhos. "Esta peça fala do homem moderno que se mecanizou, virando uma máquina.
Fonte: Jornal El Shadai, nº3, pág 13, Novembro 1992.